Terça-feira, 11 de Maio de 2010

.....Lamentável...

Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

Finalistas

Como o golfe ainda não tinha atingido entre nós os actuais níveis de popularidade, bombardeei com ovos e tomates podres o cortejo de gatos-pingados que, há coisa de 30 anos, desfilava junto à Cordoaria, no Porto, na tentativa (que viria a ser bem sucedida) de ressuscitar a Queima das Fitas, que os estudantes de Coimbra tinham feito o favor de enterrar com a crise académica de 69.

Não me arrependo, nem mudei de opinião. Continuo a achar uma rematada e anacrónica idiotice os cortejos da Queima, bem como o essencial da parafernália que envolve esta liturgia, como os trajos académicos, praxes e bênção de pastas. Excluo desta consideração tudo quanto diga respeito a concertos, copos e etc., que só podem merecer o meu elogio, pois esta vida são dois dias e a estudantada que anda para aí com as hormonas ao saltos tem todo o dever de se divertir e aliviar as tensões, pois os exames vêm aí e, como recomendava Wilhelm Reich, no indispensável Combate Sexual da Juventude, três quecas por semana são o mínimo para levar uma vida saudável.

Mas como já não tenho nem idade nem pachorra para atirar bolas de golfe, isqueiros ou telemóveis ao cortejo (para corresponder com alguma modernidade ao arcaísmo bafiento da coisa) arremesso uma história a essa tropa que ainda não arranjou tempo, capacidade ou espelho para ver a figura grotesca que anda a fazer.

Vicky Harrison, inglesa de 21 anos, já cá não estava quando soube dela e porque é que a sua travessia da vida foi tão curta e dramaticamente abreviada. Na foto, publicada neste jornal, aparecia de cabelos louros e a cara aberta num luminoso sorriso - ambos, sorriso e cor dos cabelos, com aspecto de genuínos. Mal concluiu a formação em Som e Imagem, desatou a procurar emprego, acompanhando de telefonemas os currículos que enviou para tudo quanto era produtora de televisão. Ninguém lhe escreveu ou telefonou de volta, mas ela não desanimou. Baixou de exigência e candidatou-se a empregos de repositora de supermercado e balconista de loja.

Ao cabo de dois anos e mais de 200 candidaturas sem o telemóvel e as caixas de correio (electrónica e tradicional) lhe trazerem boas notícias, Vicky desistiu. Engoliu os comprimidos todos que encontrou em casa e partiu.

Num país como o nosso, em que só não é universitário quem não quer, há 44 mil licenciados sem trabalho, a taxa de desemprego jovem atingiu os 20%, e ter um canudo já não é mais sinónimo de esperança de uma vida desafogada. Andar pelas ruas a pavonear-se em trajo académico é tão trágico-cómico como a orquestra ter continuado a tocar após o Titanic ter chocado com o icebergue.



Jorge Fiel -

Hoje no diário de Noticias

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

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Tenho um blog pessoal novo, mais matemático!

odiagramacomuta.blogspot.com

Não Visitem!

Terça-feira, 30 de Março de 2010

LCH is on!

O LHC começou hoje a funcionar mais ou menos.

http://www.publico.pt/Mundo/maior-acelerador-de-particulas-comecou-a-fazer-fisica-a-serio_1430140


Mas muito mais interessante do que isso, são os comentários no site do Público!
Na verdade, conjecturo que hoje o dia deve ser de galhofa lá pelos prados do CERN. Eles puseram aquela merda a funcionar e estão desde manhã a acompanhar os comentários no Publico e a rir-se.
É o maior acontecimento humoristico do Ano.

Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Irritantes pá!

Irrita-me a constante recorrência às aplicações de uma dada ciência para motivar essa ciência.

Conta-se que numa das aulas de Euclides, um aluno perguntou algo do género "para que é que isso serve na prática?". Reza a lenda, que Euclides lhe atira uma moeda de ouro e diz: "pronto, já serviu para ganhares uma moeda. Agora está calado e não digas parvoíces!"

Domingo, 14 de Março de 2010

Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Aleluia 2.0!!

"(...)
Tendo estudado a sabedoria em livros traduzidos do grego, do chinês ou do sânscrito, tenho uma certa desvantagem em relação aos ignorantes que só aprenderam em jornais desportivos ou revistas de moda. Quando enfrento um assunto difícil cuja elucidação requer anos de reflexão, sinto-me intimidado com a consciência da minha insuficiência, que me trava os impulsos no momento em que eles, impelidos pelo propulsor da sua ignorãncia, estão seguros de ter encontrado, ainda antes de ter procurado. Como posso fazê-los compreender que tenho razão em não proclamar que a tenho, antes de dedicar tempo a demonstrar-lhes que estão errados? Não, eles não desistem. De resto, as minhas hesitações atraiçoam-me. A verdade é uma flecha que vai direita ao alvo. Os escrúpulos intelectuais são tremuras do espírito. Se visar mal, como posso atingir o alvo?
Apercebemo-nos de que a ignorância não exclui a firmeza de opinião. Existe até uma cumplicidade objectiva entre elas. Quanto menos sabem, mais ostentam, diz o profeta. A indigência intelectual tira partido do seu pretenso parentesco com a Verdade. Contudo, é preciso ser ingénuo para pensar que o saber liberta o espírito dessa lei de gravitação que faz com que todo o pensamento orbite em torno da Verdade. Quanto mais sabem, mais ostentam, diz também o profeta, desta vez nos dias ímpares. Ter razão é a pretensão mais universal e, provavelmente, a mais antiga.
(...)"

Georges Picard, in "Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão"